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Criptomoedas

A Hash War e o novo fork do Bitcoin Cash

novembro 21, 2018

A Hash War e o novo fork do Bitcoin Cash

Recentemente o Bitcoin Cash (BCH), até então a criptomoeda com a quarta maior capitalização de mercado, passou por um hard fork que deu origem a duas novas criptos, Bitcoin Cash ABC (BCH ABC) e Bitcoin Cash SV (BCH SV), uma separação conflituosa com ameaças de ataques.

Bitcoin Cash ABC X. Bitcoin Cash SV

A decisão pela divisão teve início com uma proposta de atualização do protocolo do Bitcoin Cash feita por Amaury Séchet, um membro da equipe de desenvolvedores Bitcoin ABC. Dentre as mudanças sugeridas, as duas principais eram o estabelecimento de uma ordem específica para a inclusão das transações em um bloco, algo que traria benefícios técnicos relacionados a ganhos de escala no futuro, e a introdução de um determinado código de operação (código op) para facilitar a execução de swaps atômicos. Essa proposta ficou conhecida como Bitcoin Cash ABC e foi apoiada por um dos criadores do Bitcoin Cash, Roger Ver.

Swaps atômicos (atomic swaps) são contratos inteligentes que permitem a troca de uma criptomoeda por outra sem a necessidade de intermediários centralizados, como as corretoras. Trocar uma cripto por outra pode, às vezes, ser um processo demorado, já que nem todas as corretoras suportam todas as criptos. Com os swaps atômicos, as criptos podem ser trocadas diretamente entre os blockchains. Assim, por exemplo, você pode converter seu saldo de bitcoins para ethers sem a necessidade de fazer trades em um corretora.

Tal proposta não encontrou consenso na rede. Craig Wright, um cientista da computação que alegou ser Satoshi Nakamoto e que também participou da criação do Bitcoin Cash, opôs-se às mudanças, defendendo uma restauração do protocolo original do Bitcoin. A nChain, empresa de Wright, criou então o Bitcoin Cash SV (“Satoshi’s Vision”), que aumentou o tamanho do bloco de 32 MB para 128 MB, algo necessário para resolver futuros problemas de escalabilidade, e reintroduziu alguns códigos de operação antigos. Depois disso, o protocolo adotaria uma postura conservadora, com poucas ou nenhuma atualização.

A guerra de hash (Hash War)

A divisão não foi amigável. Se fosse, ambas as criptos utilizariam um truque técnico conhecido como “replay protection” para separar as transações de cada uma e evitar, por exemplo, que uma transação de Bitcoin ABC fosse retransmitida na cadeia do Bitcoin SV, fazendo com que o usuário gastasse o saldo de ambas as criptos. O Bitcoin Cash ABC implementou a proteção, mas o Bitcoin SV a cancelou.

O debate, então, culminou numa espécie de guerra que ficou conhecida como “Hash war”, pois cada lado desejava eliminar o outro e ser o único sobrevivente. “Vencer” seria se tornar a cadeia dominante, ou seja, a maior, com mais blocos válidos minerados. O sucesso, portanto, estava ligado ao comprometimento dos mineradores, que tendem a minerar a criptomoeda que for mais lucrativa.

Craig Wright não descartou a possibilidade de fazer ataques 51% e sugeriu que trataria o hard fork como uma guerra, tomando atitudes consideradas justas num contexto de batalha. Com uma maioria de 51% do poder de processamento, os mineradores poderiam minerar blocos vazios na cadeia Bitcoin ABC e fazer com que blocos honestos se tornassem órfão na rede. Assim, as transações não seriam confirmadas na rede Bitcoin Cash ABC e os mineradores seriam desencorajados a minerar, pois seu poder de hash estaria sendo desperdiçado.

A rede Bitcoin ABC também afirmou que poderia tomar medidas extremas caso isso acontecesse, como pôr em prática a chamada “opção nuclear”: fazer um novo hard fork que alterasse a prova de trabalho e tornasse os ataques à mineração incompatíveis.

Tweeter de Craig Wright sobre a hash war

O hard fork

Antes da separação, muitos pools de mineração indicaram apoio ao Bitcoin Cash SV, portanto era esperado que ele detivesse 73% do poder de hash da rede, embora os usuários e traders estivessem apoiando o Bitcoin Cash ABC. Em contratos futuros ofertados pela Poloniex o BCH ABC valia $260, enquanto o BCH SV valia apenas $220.

Às 17h52 (UTC) do dia 15 de novembro de 2018, o último bloco de Bitcoin Cash, bloco 556.766, foi minerado e a separação aconteceu. Apesar das ameaças de sabotagem, nada ainda ocorreu e ambas as redes estão minerando blocos normalmente.

Ao contrário do que as previsões indicavam, o Bitcoin ABC detém, no momento da redação deste artigo, 51,4% do poder e está 14 blocos à frente do Bitcoin SV (Fonte: Coin Dance – confira a fonte para obter dados atualizados).

Os proponentes do Bitcoin ABC sentem-se vitoriosos, pois conseguiram o maior poder de hash, mas Craig não se deu por vencido, alegando que a guerra ainda duraria meses.

Corretoras, valor de mercado o futuro das novas criptos

A maior parte das corretoras, incluindo Binance e Bitfinex, deram apoio aos dois lados do hard fork e já distribuíram aos usuários os novos tokens na proporção 1:1 (1 BCH ABC para cada 1 BCH e 1 BCH SV para cada 1 BCH).

A Poloniex, antes mesmo do hard fork acontecer, deu aos usuários a possibilidade de realizar trades com as novas criptos, alegando que isso era uma forma da comunidade participar da decisão e demonstrar seu apoio.

O Bitcoin Cash valorizou antes da separação e chegou ao pico de $504.04. As duas novas criptos, porém, sequer chegaram próximas a isso: o Bitcoin ABC mal alcançou $300 e o Bitcoin SV, que chegou a valer $170, está cerca de $50. Além disso, pesquisas e especialistas apontam que ambos os lados estão sofrendo perdas.

Apesar do Bitcoin Cash ABC deter o maior poder de hash no momento, não é possível afirmar que ele já é o vencedor. O futuro das duas novas criptos ainda é incerto.