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Bitcoin

Qual a relação entre Bitcoin e blockchain?

outubro 22, 2018

Qual a relação entre Bitcoin e blockchain?

Junto com Bitcoin, outra palavra que vem conquistando espaço nas redes é blockchain, mas você sabe qual a relação entre elas?

O Bitcoin e o blockchain

O Bitcoin nasceu em 2008 com um artigo que descreve um sistema capaz de replicar a escassez do dinheiro físico no meio eletrônico, mas que dispensa a intermediação de uma autoridade central.

Tudo isso é possível graças à uma tecnologia de registros que Satoshi Nakamoto, o autor do artigo, desenvolveu e que ficou conhecida como blockchain. Com ela, as transações realizadas ficam registradas e disponíveis publicamente para que qualquer um possa acessar, ou seja, o blockchain tem um histórico de todas as transações que aconteceram desde que o Bitcoin foi implementado, em 2009.

Como o blockchain funciona?

O blockchain ganhou esse nome porque as informações são armazenadas em formas de blocos (“block”) que vão se ligando uns aos outras e formam uma cadeia linear (“chain”).

Para registrar as informações das transações é utilizada uma função criptográfica chamada hash, que transforma qualquer dado (seja uma única letra, seja um livro inteiro) em uma sequência de números e letras aleatórios com um tamanho determinado. Essa sequência é como uma impressão digital do dado, pois funciona como um identificador único. Logo, uma pequena mudança em uma única transação já é o suficiente para alterar completamente esse hash.

A partir dos hashes de todas as transações, é formado um único hash conhecido como raiz Merkle.

A estrutura dos blocos

Cada bloco contém um cabeçalho com metadados do bloco:

  • index ou versão (número do bloco)
  • hash do bloco anterior
  • timestamp (data e hora da criação do bloco)
  • nonce (número aleatório utilizado na mineração do bloco)
  • raiz Merkle

Além disso, os blocos contêm os hashes de cada transação.

Estrutura dos blocos da blockchain: hash do bloco, cabeçalho, dados das transações

Cada bloco também possui um hash que é gerado a partir do hash do bloco anterior.  Essa referência ao bloco anterior faz com que a ordem dos blocos não possa ser alterada. Se qualquer dado de um bloco for alterado, o hash desse bloco mudará e será necessário alterar todos os outros blocos posteriores.

Como são criados os blocos?

Os blocos são criados por alguns usuários da rede chamados de nós mineradores através de um processo chamado de mineração.

Nesse processo, os mineradores selecionam algumas transações e tentam resolver a prova de trabalho. Essa prova consiste em criar um bloco, cujo valor do hash deve ser menor que um determinado valor (esse valor é estabelecido para manter a frequência de criação dos blocos estáveis, fazendo com que o intervalo entre a criação de dois blocos seja, em média, 10 minutos).

Quando um minerador consegue resolver a prova de trabalho, ele cria um bloco e o envia para todos os outros usuários, que vão aceitar o bloco se estiver tudo certo com as transações e vão começar a trabalhar na criação do bloco seguinte. Esse processo é semelhante a uma corrida, pois o minerador que criar o bloco ganha uma recompensa de alguns bitcoins.

Dessa forma, existem muitos incentivos para que as pessoas contribuam com a rede ao invés de tentar trapacear. Suponhamos que a rede esteja trabalhando para criar o bloco 10 e eu queira alterar uma transação do bloco 5. Eu preciso alterar a transação, minerar esse bloco e todos os outros até o bloco 9, criar o bloco 10 e enviar para todos os outros nós da rede. Tudo isso em 10 minutos, que é o tempo médio que leva para criar um bloco na rede Bitcoin.

Isso porque a cadeia mais longa é a cadeia válida. Logo, se a rede criar o bloco 10 e começar a trabalhar no bloco 11, eu terei que alterar a transação no bloco 5, minerar esse bloco, minerar todos os blocos até o 10 e criar o bloco 11 para essa ser a cadeia válida. Com o poder de processamento atual, isso é praticamente impossível.

Exemplo de blockchain ilustrando a ligação entre os hashes de cada bloco

Quais as vantagens do blockchain?

Além da segurança gerada pela criptografia e pela mineração, os registros são mantidos de forma distribuída, ou seja, os vários usuários guardam uma cópia do blockchain e uma eventual falha em um nó da rede não altera o funcionamento. A inexistência de um único ponto central também diminui a vulnerabilidade e aumenta a segurança.

O blockchain é, então, uma forma de guardar dados de maneira segura, transparente e descentralizada. Ele vem sendo chamado de “protocolo da confiança”, porque faz com que pessoas que não se conheçam e não confiam umas nas outras possam fazer transações de valor seguras.

O blockchain foi desenvolvido para viabilizar o funcionamento do Bitcoin, mas depois as pessoas começaram a entender que ele poderia servir para registrar qualquer ativo digital e passaram a pensar em outros usos.

A princípio esses usos estavam ligados à indústria financeira, já que ele pode agilizar procedimentos que costumam demorar dias, como remessas internacionais, além de impedir fraudes bancárias e cortar custos. Depois os usos foram estendidos para áreas completamente distintas como energia, música, medicina e direito.

No setor energético o blockchain pode otimizar os sistemas de distribuição e compartilhamento de energia ou a compra e venda de créditos de carbono, na música ele pode permitir que os artistas recebam diretamente os pagamentos, na medicina ele pode permitir a criação de um histórico médico completo sobre o qual o paciente tem o controle de acesso, e no direito pode permitir a existência dos contratos inteligentes, ou seja, que são executados automaticamente.

Esses, é claro, são apenas alguns exemplos de como o blockchain pode mudar completamente a forma como nós nos relacionamos com bens digitais e criar uma internet dos valores.