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Bitcoin

Bitcoin e o mercado cripto em 2018: uma revisão dos principais acontecimentos

janeiro 9, 2019

Bitcoin e o mercado cripto em 2018: uma revisão dos principais acontecimentos

Com a alta histórica em dezembro de 2017, quando o preço do Bitcoin chegou próximo a $20.000, o mercado começou o ano de 2018 com altas expectativas, mas já no final de janeiro o preço sofreu uma queda e as perspectivas mais otimistas foram frustradas.

2018 chegou ao fim e o Bitcoin teve uma queda de aproximadamente 70% – começou valendo cerca de $14.000 em janeiro e terminou dezembro valendo $3.900. Uma correção do preço já era esperada pelo mercado, mas tamanha queda foi uma surpresa.

De fato, foi um ano ruim para as criptomoedas, pois a desvalorização afetou o mercado como um todo e muitas perderam mais de 75% do seu valor em relação a dezembro de 2017. O mercado, que viu seu valor atingir mais de meio de trilhão de dólares, hoje está um pouco acima de $100 bilhões.

Não se pode, contudo, resumir 2018 em uma queda de preço, afinal diversos acontecimentos marcaram o ano. Veja, a seguir, alguns destaques:

Hacks

Ataques de hackers maliciosos vitimizaram algumas criptomoedas e corretoras.

Verge, Monacoin, Vertcoin, Zencash, Litecoin Cash e Bitcoin Gold sofreram ataques 51% – quando um grupo de mineradores consegue controlar mais de 50% do poder de processamento da rede e se torna capaz de impedir confirmações de novas transações e de reverter transações concluídas, permitindo o gasto de uma única criptomoeda duas vezes (gasto duplo).

A chegada da regulação

Além das expectativas do mercado, a alta de dezembro de 2017 chamou a atenção de autoridades financeiras e governos, que passaram a prestar mais atenção ao mercado de critptomoedas.

Países como Suíça, Malta, Cingapura, Estônia e Dubai se mostraram mais receptivos às criptos e à tecnologia blockchain, enquanto a China manteve os esforços para frear as criptos em seu território.

Nos Estados Unidos, a Comissão de Valores Mobiliários (US Securities and Exchange Commission, SEC) voltou esforços para os ICOs (Initial Coin Offerings – pré-venda de tokens cuja finalidade é arrecadar dinheiro para investir no projeto e pô-lo em prática) que não eram registrados, buscando, assim, coibir esquemas fraudulentos.

Já a Coreia do Sul manteve sua postura aberta e ampliou regulações que protegem os investidores e ajudam o desenvolvimento do mercado. Já em janeiro, uma decisão judicial reconheceu o valor econômico do Bitcoin. Posteriormente o país baniu transações anônimas de criptomoedas, taxou as corretoras, suspendeu o banimento de ICOs e legalizou o Bitcoin como um meio para fazer remessas.

Por fim o G20, grupo que reúne os líderes das 19 nações com as maiores economias do mundo e a União Europeia, concordou em regular o mercado de criptomoedas, visando combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, e reconheceu sua importância afirmando que elas representam uma revolução na economia e na organização social.

Líderes mundiais na abertura do encontro do G20 em Buenos Aires em 2018
Líderes mundiais na abertura do encontro do G20 em Buenos Aires em 2018 | Foto: Reuters/Andres Martinez Casares/Pool

Uma maior regulação pode contribuir para o crescimento do mercado na medida em que dará aos investidores maior segurança ao prover mais estabilidade, legitimidade e proteção contra fraudes

Os ETFs e a atração de investidores institucionais

Em 2018 o Bitcoin começou a despertar a atenção de investidores institucionais, o que pode ser visto com o nascimento da Bakkt, uma plataforma regulada de negociação de criptomoedas que contará com contratos futuros de Bitcoin. O lançamento era previsto para dezembro, mas foi adiado devido ao grande volume de interessados.

A Bakkt foi criada pela Intercontinental Exchange (ICE), a mesma empresa responsável pela Bolsa de Valores de Nova Iorque (New York Stock Exchange, NYSE). Por ter um histórico respeitável e força no setor financeiro, o lançamento da plataforma da ICE é acompanhado por altas expectativas no aumento da confiança no mercado de criptomoedas e na consequente atração de investidores institucionais.

Tais expectativas também são depositadas na aprovação de um fundo negociado em bolsa (Exchange-Traded Funds, ETF), ou seja, um título negociável que rastreia um índice de ações, uma commodity, títulos ou uma cesta de ativos.

9 aplicações de ETFs de Bitcoin foram negados pela SEC em 2018 sob alegações de manipulações e falta de regulação do mercado cripto, o que não impediu novas tentativas (já em fevereiro de 2019 a SEC decidirá sobre um ETF de Bitcoin proposto pela VanEck e SolidX).

O hard fork do Bitcoin Cash

Um dos eventos mais marcantes em 2018 para o mercado das criptomoedas certamente foi o hard fork do Bitcoin Cash, que ocorreu no dia 15 de novembro.

A falta de consenso entre os participantes da rede sobre atualizações do protocolo do Bitcoin Cash provocou uma separação: de um lado Bitcoin ABC, apoiado por nomes como Roger Ver, e de outro Bitcoin SV, apoiado por Craig Wright. A separação não foi nada amigável e os dois brigaram pelo ticker “BCH” (Bitcoin Cash), havendo inclusive ameaças de ataques.

Ambos sofreram perdas com a briga e, no final, o Bitcoin ABC saiu como o vencedor, pois o Bitcoin SV desistiu do ticker “BCH” e passou a utilizar o ticker “BSV”. A guerra acabou minando a confiança dos investidores nas duas criptos, o que contribuiu para a queda de seus preços e possivelmente para a queda do mercado em geral.

As stablecoins

Com os preços das criptomoedas caindo em 2018, os investidores começaram a procurar maneiras de se proteger contra flutuações, o que aumentou a popularidade das stablecoins.

Aproveitando-se da desconfiança em relação ao Tether, que ganhou fama em 2017, diversos outros projetos surgiram: Paxos Standard (by Paxos Trust Company), Gemini Dollar (by Gemini Trust Company), USD Coin (by Circle Internet Financial Limited) são alguns exemplos.

A primeira cripto apoiada pelo Estado: o petro

Em fevereiro de 2018, o mundo viu a introdução da primeira criptomoeda apoiada por um Estado: o petro venezuelano. O presidente Nicolás Maduro ressaltou as vantagens da criptomoeda atrelada ao petróleo em diversas ocasiões, mas há muita desconfiança em relação a ela, já que não se sabe ao certo como funciona.

Petro, criptomoeda criada pela Venezuela
Petro, criptomoeda criada pela Venezuela

A descrença também pode ser atribuída às alegações de corrupção no governo venezuelano, emissor do petro, à economia em declínio e às especulações de ser apenas um meio para driblar as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

O aniversário de 10 anos do whitepaper de Satoshi Nakamoto

No dia 31 de outubro a comunidade cripto celebrou os dez anos da publicação do white paper de Satoshi Nakamoto, “Bitcoin: um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer”, que descreveu pela primeira vez o funcionamento do Bitcoin, um sistema monetário completamente eletrônico, algo então revolucionário.

O crescimento da Lightning Network

A Lightning Network é uma tecnologia criada para aumentar a capacidade do Bitcoin de processar transações. Ela estabelece uma segunda camada para o Bitcoin, usando canais de micropagamento fora do blockchain. Espera-se que tal tecnologia seja capaz de descongestionar a rede Bitcoin e reduza as taxas de transação, o que poderá aumentar significativamente a utilidade do Bitcoin como meio de pagamento e uso diário.

Apesar de ainda estar em testes, a Lightning Network cresceu muito ao longo de 2018. No início do ano, ela contava com apenas 50 nós e tinha capacidade para 4 BTC. Segundo dados do 1ML.com, um mecanismo de pesquisa e análise da Lightning Network, hoje ela conta com 5.242 nós, 18.930 canais e tem capacidade para 563 BTC.

Apesar da queda, as criptomoedas vieram para ficar

Segundo o MIT Technology Review, ao menos 15 bancos centrais de diferentes países consideram seriamente lançar criptmoedas nacionais – Bahamas, Canada, China, Suécia, Senegal, Noruega, Equador, Tunísia, Uruguai. O potencial de reduzir custos, de aumentar a inclusão no sistema financeiro (considerando que 1.7 bilhões de adultos não têm acesso a contas bancárias) e a crescente diminuição no uso de cédulas são fatores atrativos.

O aprofundamento dessa discussão também é indicado pelo posicionamento de Christine Lagarde, diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), que disse em um discurso em 2018 que criptomoedas apoiado pelo Estado poderiam alcançar mais pessoas e oferecer maior segurança, privacidade e proteção ao consumidor do que criptomoedas privadas ou outras tecnologias comerciais de pagamento.

Embora 2018 tenha sido um ano difícil para as criptomoedas por conta da alta queda dos preços, é possível perceber um desenvolvimento do mercado através do crescimento de projetos que utilizam criptomoedas e blockchains e, assim, aprimoram tais tecnologias, além do gradativo interesse dos governos em regular e estudar os possíveis impactos das criptomoedas.